Amor


 

                Afundo na lagoa. A água está gelada. Estico meu corpo como uma estrela do mar e flutuo.      

            — O que você está fazendo?

            — Sentindo. — Respondo.

            — O que?

            Fico em silencio por um segundo.

            — A natureza.

            O sol se derrama nas minhas pálpebras. O vento faz carinho nas arvores, e elas respondem com um farfalhar de satisfação.

            Dedos mornos tiram uma mecha de cabelo do meu olho.

            — É isso que eu mais amo em você, sabe. — Abro os olhos. — Você não perde tempo para viver.

            Gotas de água escorregam do seu cabelo e caem no meu rosto. Cruzo os braços atrás do seu pescoço. Nossas respirações se misturam. Beijar ele era um ato que eu nunca me cansaria.

            — Eu amo você. — Sussurro contra seus lábios.

            Seu rosto está banhado em luz dourada. Encosto em sua testa. Entrelaço nossos dedos.

            É assim que o amor deveria ser: Calmante. Perdi muito tempo da minha vida, e agora, buscava desesperadamente aproveitar o que resta. Com ele.

            — Nosso amor começou como uma pequena semente, e com o tempo ela foi criando raízes cada vez mais profunda. Você sabe, eu não amei muita pessoa nesse mundo e me arrependo disso. Mas você, eu lutei para chegar aqui... — Ele pressiona a palma da mão no meu coração e continua. — E hoje, cada segundo, cada lágrima, cada dor. Valeu a pena.

            Olho para ele.

            — Essa foi a coisa mais romântica que ouvi.

            Ele sorri.

            — Tudo por você, raios de sol.

            Encosto a cabeça no seu ombro e ficamos naquela posição até o anoitecer.

        Aprendi muita coisa com os anos. Sabia que o amor era como uma planta, que precisava ser regado todo dia. Caso contrário, ela murchava e morria.

 

            

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