Minha mão
está úmida quando toco na maçaneta. Meu coração parecia prestes a sair do
peito. Eu não queria ir embora, mas não havia mais nada que me mantinha aqui.
O
apartamento vazio é uma lembrança constante dele.
Da forma como tudo desmoronou, como um castelo de cartas.
O leve cheiro de colônia paira no
ar.
— Adeus. —
Sussurra com lágrimas nos olhos.
— Por que
você foi embora? — A terapeuta pergunta.
As paredes
pálidas me deixam com a sensação de loucura. A minha mente parecia a casa que
tinha deixado: Vazia.
Como
poderia explicar a ela que não conseguia continuar com todo aquele teatro? Tudo
aquilo não passava de fingimento. Era apenas uma fachada brilhante, mas quem se
atrevia a espiar pela janela conseguia ver a podridão.
— Eu... Eu
acho que... — Engulo em seco. — Não estava mais dando certo.
A calçada é
quente sob meus pés. Lambo o picolé de frutas: um pouco de doce para alguém tão
amarga.
Quando
estava distraída com meu celular um pedaço do picolé tinha caído na minha
roupa. Esfrego a camisa. Isso é o tipo de coisa que sempre acontece comigo.
Esbarro em
alguém.
— Sinto
muito... — Falo.
Ergo os
olhos.
— Emi? — O meu nome em sua boca faz meu coração contorcer.
— Josh...
Ele me
encara por um longo tempo. A sua pele estava com uma palidez doentia e seus
lábios quebrados. Ele está pior do que da última vez que o tinha visto.
Ele agarra
meu braço com força. No entanto, ele vai soltando lentamente como se fosse algo
dolorido.
Ele me encara com dor, seus olhos pareciam estar travando uma batalha interna.
O picolé
tinha derretido.
Essa foi a
melhor demonstração de amor que ele fez: Ele me deixou, pois a gente queimaria.
Respiro
fundo e continuo caminhando sem olhar para trás.

Comentários
Postar um comentário