Dou um
longo gole na bebida. Um calor agradável desce para minha barriga. O som dos
grilos enche meus ouvidos.
— Talvez
devêssemos ficar aqui. — Ele diz.
Sorrio.
— Talvez.
Ele pega a
garrafa da minha mão e bebe. Mechas encaracoladas caem desajeitadamente na
testa. Apesar da visão turva consigo ver seus olhos castanhos cintilando.
Ele faz movimentos circulares no meu
pulso com o dedão, subindo por toda a extensão do braço. Fecho os olhos e
suspiro.
— A lua
está bonita hoje. — Ele diz com a voz rouca.
Pintinhas
brilhantes salpicam o céu em torno da lua cheia. Borrada, ela parece maior do
que realmente é. Me afasto do seu toque.
Meu corpo
está adormecido pelo álcool, mas as lágrimas enchem os olhos. Rolo pela grama
úmida.
Tão triste e fria.
— Fique. —
Ele sussurra.
Termino de
tirar a grama do cabelo e o encaro. Os lábios estão inchados, o rosto iluminado
pela lua e os olhos tristes.
Me
aproximo.
Nossa
respiração se misturam e nos beijamos no quintal de uma festa qualquer. Doce
paixão da puberdade, por que es tão bela e mortal?
Ficamos lá
até os primeiros raios de luz cortarem o céu. Trocando juras de amor e risos.
Mas a
realidade vem... Aquela seria a última vez que o veria. No outro dia meus pais
mudariam de cidade, pois tinham conseguido uma promoção em outro país.
Com o tempo
as memórias dele foi se desintegrando. Tinha me formado, conseguido um bom
emprego e uma bolsa cheia de outros amores.
Afinal, sempre vai existir outro amor
E me apaixonar por outro foi me desprender dele.

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