Tiro as
luvas ensanguentadas. O ambiente foi tomado pela tristeza. Com as mãos tremulas
pego um cigarro, ascendo e solto o ar.
— Não
precisa fazer isso...
Ele me encara com os olhos
preocupados.
— Eu quero
fazer. —Falo.
— Tem
certeza?
Dou uma batidinha
no cigarro, as cinzas caem no carpete.
— Sim. —
Digo, por fim.
Observo seu corpo mergulhado em
uma poça de sangue.
— Não foi
sua culpa.
Max, de
alguma forma, sempre sabia como estava me sentindo.
Pego um
pano felpudo e limpo o chão. As memórias inundam minha mente.
Não foi sua culpa, Sofia. Você tentou. Eu fiz de tudo. Repito
para mim mesma.
Torço o pano
no balde.
Pego o
corpo de Mel e coloco cuidadosamente em uma caixa. A som da porta ecoa pela
sala.
— Mãe!
Verifico o
relógio. Droga. Antes que pudesse fazer qualquer coisa ela já estava na porta.
— Feche os
olhos, filha.
— Mel!
Ela se
agacha e alisa os fios do cachorro.
— Ele não
aguentou a cirurgia. — Explico, envergonhada.
— Mamãe quero ele! — Diz, com o rosto colado
na gaiola.
— Ele é o mais... energético do
nosso centro de adoção. — Encaro ela. — Mas é um bom garoto.
Sofia joga uma bola. Ele corre com
as pernas curtas, tropeçando várias vezes. Sorrio e respondo:
— Então vai ser ele.
Ela dá um gritinho.
Max escuta
os gritos dela e parece assustado na porta.
— Ei...
Vamos pegar um pote de sorvete. — Ele a envolve em seus braços. — É de flocos,
seu favorito.
Depois
alguns minutos o grito dela para.
Fecho o estojo com as facas e dou
outra tragada no cigarro.

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