Lanço uma
bola de energia contra a porta. O estrondo chama a atenção de todos. Faz um mês
que ele se foi, e desde então as buscas não pararam.
Grito com
eles até minha voz ficar rouca. Em dias como esse tenho dificuldade de
controlar meus poderes, como medidas de proteção meus empregados colocaram uma
barreira que dividia a sala no meio.
—
Senhora... Tentamos de tudo. Ele não está em lugar nenhum...
Cal é o
único que teve coragem de atravessar a barreira. Seus dedos estão vermelhos
contra a prancheta.
— Josh vai
ficar bem. Ele sempre consegue escapar das piores encrencas. — Ele coloca a mão
no meu ombro. — Se lembra da vez em que os dois foram capturadas pela esquadra
do seu pai por ir longe demais da praia? Ele conseguiu enganar os saldados
altamente treinados.
— E
transferiu toda a culpa para mim. — Continuo.
Ele sorri.
— Voltem ao
trabalho! — Falo.
Todos voltam a atenção para os computadores.
Tiro o cartão do bolso, abro a porta.
Com uma
jaqueta e botas grandes, Will, pega uma faca e atingi o coração do boneco. Ele
é um dos melhores.
— Ainda não
conseguiu descontar tudo? — Pergunta.
Meu rosto
pinica.
— É por isso que tenho você.
Tiro a faca
do boneco, ela cintila contra a luz pálida da lâmpada. Vejo uma pequena mancha
de sangue.
— Quem foi
dessa vez?
Ele fica em
silencio, quase envergonhado. O grande problema dele é a raiva, e ele não
costuma descontar em bonecos.
— O
psicólogo da empresa...
— Não
preciso disso. Estou bem. — Uma barreira de luz passa por nós. Escudo
anti-poderes desativado. — Vamos brincar.
Sem pensar
duas vezes ele me ataca. A energia dele é violeta, uma das mais bonitas que vi.
— Ei!
Ele tenta
me atingir outra vez. Por pouco consegui levantar um pequeno escudo, mas se
despedaça em dois segundos.
Will me desafia
com um olhar. Depois dez minutos de luta Josh foi sendo esquecido. Terminamos
exaustos, com o suor grudando na roupa.
— Estou
morrendo de fome. — Digo, ofegante.
Limpo o
rosto com a camisa.
— Como
estão as buscas?
Encaro as minhas unhas só o topo,
de tanto roer.
— Tivemos o
sinal do seu celular por um segundo. Mas não foi o suficiente.
Ele troca
os pesos dos pés e pensa por um momento.
— Nós vamos
encontrar ele. — Repete.
Enfio as
batatas douradas na boca e dou uma mordida no hambúrguer.
— Esse é o
melhor restaurante da ilha. — Falo.
Will ergue
as sobrancelhas grossas. Ele pega o saquinho de ketchup e passa no prato.
— Estive pensando... Josh desapareceu nesse
ponto da ilha. — Ela ponta para o que parece ser a floresta. — Então, e se...
. Meu celular
apita. Encaro a tela por um minuto inteiro.
— O que
foi?
O encaro por um minuto inteiro. As vozes que preenchem o restaurante se tornaram ruídos distantes.
—
Encontraram ele.
A ilha é isolada.
Chegamos aqui com a bolsa cheia de sonhos e vimos o inexplicável diante de
nossos olhos.
A pequena
população que meu pai juntou e colocou aqui foi lentamente desenvolvendo
poderes.
— Filha,
descobri a solução para fraqueza humana. — Ele costumava dizer.
Fomos
submetidos a exames de todo o tipo. Ele queria juntar a sua descoberta e
conquistar um posto diante do mundo.
Mas houve
um problema. Algo que ninguém podia adivinhar.
— Onde ele
está?!
Cal impede
minha entrada.
— Fique
calma. — Ele dá um passo para trás. — Precisamos conversar... O Josh... Bem,
ele...
Minhas
pernas desabam. No fundo eu já sabia que não tinha como ele ainda estar
vivo.
— Não! Não,
não...
Will me
envolve com sua luz violeta, de alguma forma, isso ajudou.
Josh estava
mais branco que papel. Abaixo os olhos para sua barriga. Meu estomago cai.
— Foi
encontrado em outra ilha. Não conseguimos fazer nada. — Cal diz.
Passo os
dedos pelo enorme buraco roxo na barriga.
Foram eles, os matadores.
— Josh... —
Sussurro, com o rosto úmido — O que fizeram com você.
— Josh?
Ele está
segurando um coelho, papai o ensina a caçar no último verão.
— Era pra
você está cuidando das bicicletas!
Cruzo os
braços, irritada.
— Está
ficando escuro... Devíamos ir para casa.
— Você está
com medo. — Ele solta o coelho.
Um galho se
quebra próximo da gente.
— Fique
atrás de mim.
Os olhos
inconfundíveis do matador deixaram todo o ar preso na garganta. Esse é a
primeira vez e a última que tinha visto um. Josh o matou.
Quando já
estávamos perto de casa ele analisa meus ferimentos e compra um pacote de
doces. Nunca falamos sobre o que aconteceu.
Gritos
ecoaram pelo corredor. Eles estão aqui.
Aperto as
mãos em um punho.
— Peguem as
armas. — Encontro os olhos de Will. — A guerra começou.

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