Ele se foi. Talvez
se eu chorar até o copo transbordar Deus o traga de volta.
Entro
no armário, inspiro o cheiro o cheiro de rosas.
— Alex. — Sussurro, tomada pela escuridão.
Me deito em seu peito. Ninguém nos
entrará aqui.
— As roupas têm cheiro de rosa... O
seu cheiro. — Murmura, sugando
a pele do meu pescoço.
Meus lábios se erguem.
A porta range,
minha garotinha coça os olhos, e entra.
— Mamãe, não chora.
Me abraça, e volta a dormir.
—
Vi, promete que a gente vai ficar junto
pra sempre? — Murmura.
Afirmo sem hesitar, absorta na
paixão. Não existia nada que pudesse nos separar.
Ele pega o canivete, e risca o fundo
do armário.
— O que tá fazendo? Minha mãe vai me
matar!
A e V, PARA SEMPRE.
Me desprendo do seu abraço, e o
encaro com lágrimas nos olhos.
—
Para sempre. — Confidência.
— Para sempre. — Repito.
Esse
é o problema do para sempre; ele sempre acaba.
O
velhinho com profundas marcas do tempo me olha com uma expressão tristonha.
— De novo aqui meninas?
Afirmo. O nó na garganta aumenta. Ele me
abraça e depois nos deixa sozinha.
Pego
o buque. Inspiro o perfume, recordando dos melhores dias da minha vida, com as
mãos tremulas as coloco no tumulo.
—
Mamãe, quero o papai.
Diz
se aconchegando no meu colo. Desato o nó da garganta, eu também, murmuro.
Alex Oliveira Martins.
(1990-2019).
Um bom filho, ótimo marido e o melhor
pai do mundo.

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